dei às palavras a água dos dedos
entreguei a voz à eternidade do vento
todo o amor que cobri na intimidade dos braços
o mapa de um verbo que incandescia a medula
entreguei a voz à eternidade do vento
todo o amor que cobri na intimidade dos braços
o mapa de um verbo que incandescia a medula
enrolei as lágrimas no sangue da tarde
acompanhei com o coração o bailado dos barcos
os poros que tecíamos no queimar dos olhos
o suor pingava
acompanhei com o coração o bailado dos barcos
os poros que tecíamos no queimar dos olhos
o suor pingava
era rubro - adoçicado
sabia a néctar de morango
ensaguentava a pele
e manchava a seda como a lágrima de uma carta
sabia a néctar de morango
ensaguentava a pele
e manchava a seda como a lágrima de uma carta
dei-me assim
por entre os soluços e o interior da tua boca
na sombra derramada pela primavera
aquele denso paladar odor e asa em forma de concha
por entre os soluços e o interior da tua boca
na sombra derramada pela primavera
aquele denso paladar odor e asa em forma de concha
naquele tempo
as sementes do luar destilavam na erupção das mãos
e pedias-me para morrer contigo
porque a morte era uma cerimónia por onde nascíamos
as sementes do luar destilavam na erupção das mãos
e pedias-me para morrer contigo
porque a morte era uma cerimónia por onde nascíamos